27 de fev. de 2009

27.02.09

Não. Não troco por nada nesse mundo a sensação do vento forte batendo no rosto e em meu braço. Ah, liberdade! Onde se escondeu? Sinto sua falta... espere. É possível sentir falta de algo que nunca se teve? Parece que sim. O formigamento que ocorre após tal sensação chega a ser tão gratificante quanto um copo de limonada em uma ensolarada tarde de verão. O calor no braço, causado pelos raios solares, traz felicidade e vontade de fazer agradecimentos. Agradecer por estar vivo. Por estar saudável, mesmo que com o coração quebrado. Não, quebrado não. Desiludido. Acho que essa seria a palavra correta. Prefiro não lembrar. Só quero lembrar da sensação do vento passando por entre meus deudos. Ela me satisfaz, ela me contenta. Estamos indo de volta pra casa.

15 de fev. de 2009

Culpa e um pouco de angústia.

Subitamente, não sabia mais como se ata o nó da gravata. Era como se enfrentasse uma tarefa desconhecida, com que nunca tinha tido qualquer familiaridade. Recomeçar do princípio. Uma vez, outra vez - e nada. Suspirou com desânimo e olhou atento aquele pedaço de pano dependurado no seu pescoço. Vagarosamente, tentou dar a primeira volta - e de novo parou o gesto sem sequência. Viu-se no espelho, rugas e suor na testa: a mão esquerda era a direita, a mão direita era a esquerda.
Ele via o quanto mudara desde sua juventude para o tal dia. A barba crescia, sua utilidade em casa e no trabalho caia a cada dia. Os últimos vinte anos haviam passado tão rapidamente... ele havia arranjado um emprego, achara a mulher com a qual, passaria o resto de sua vida... ah! Aquela lembrança o magoava. Jenny, por que se fora tão cedo? Aquela americana, loira dos olhos azuis, mexera permanentemente com a cabeça daquele homem. Vítima de um acidente de carro, envolvendo um ônibus interestadual e um Fusca azul-bebê. Ela era a alegria da vida daquele, agora, senhor de idade, mas ao menos, deixara para ele três simples lembranças: um casal de filhos e o vestido de seu casamento.
Desistindo de tentar dar o nó na gravata, sentou-se em uma poltrona coberta de poeira e pôs-se a chorar. Era um homem de meia-idade, gerente de uma empresa, morador de um apartamento em um bairro nobre de sua cidade. Mas havia amargura em seu coração. Existia culpa. Existia ódio. Por sua culpa, a unica mulher que já amou, encontrava-se morta e enterrada. Literalmente.
Ele a traíra. Razão? Carência e muito whisky. Estava bêbado, vagando por aí. Uma garota de programa se encontrava a cinco metros dele. Eram três da manhã. Um sexo rápido no metrô vazio poderia estragar um relacionamento de mais de dez anos? Alguns meros trocados estragariam um amor à primeira, segunda e terceira vista? Ele achou improvável. Mas foi o que aconteceu. Jenny descobriu. Ela contratara um detetive particular algumas semanas antes. Suspeita de adultério.
Ao saber que seu amado havia traído-a, pegou seu Fusca azul-bebê e saiu à toda velocidade em direção à casa de suas irmãs, que tambem moravam no Brasil. Na pressa que se encontrava, não viu o ônibus que se aproximava. Uma morte trágica.
O casal de filhos do casal não suportava a ideia de viver na mesma casa do assassino, mesmo que indireto, de sua mãe. Foram viver nos Estados Unidos com seus avós maternos.
Essas lembranças viam de repente, mas ele não conseguia aguentar. Viver com aquela culpa era demais. Essas memórias, naquele dia, estavam vindo mais fortes do que de costume, pois, naquele exato dia, havia um ano que Jenny morrera. 365 dias sem ver seu sorriso. 365 dias sem ouvir sua voz. Entre lágrimas e goles de whisky, suplicou perdão a Deus.
Dia: 13/02/2009. Horário: 08:37. Homem de 57 anos é encontrado morto em seu apartamento. Causa: Suicídio com uma gravata. Estava vestido com um, aparentemente, vestido de noiva. Local: seu apartamento. Algo estranho? As paredes encontravam-se rabiscadas. Palavras: Jenny, I'm sorry.

10 de fev. de 2009

você me faz continuar.

Não sei, antes, há quatro anos atrás, tudo parecia tão distante. Essa possibilidade de perder os amigos para colégios "rivais", de amigos irem embora, para outros estados, para prestarem concursos. Agora, tudo está tão perto. Faculdade, Ensino Médio, Farias Brito, Ari de Sá, EsPCEx, EPCAR... são tantas coisas que podem nos distanciar e apenas uma capaz de nos manter assim, unidos: é uma tal de amizade. Bastante ultrapassada mas ainda assim muito valorizada. Ou não. A saudade vai surgir, lágrimas irão rolar. Mas ainda assim, nos permaneceremos unidos, por mais dificil que seja. Por que? Porque somos amigos. Temos algo em comum. Algo nos uniu e sempre nos manterá sempre assim. Por maior que seja a distancia, por maior que seja a saudade, sempre estaremos juntos. Por presença ou simplesmente na memória. Meus amigos, tanto os que vão embora como os que permanecerão comigo, eu amo vocês. Não é da boca pra fora. Vocês fazem tanta coisa valer a pena. Vocês me fazem continuar.

7 de fev. de 2009

timidez.

Eu venho procurado uma razão para o meu mal-estar. Mas não há. Simplesmente não existe. Não há sentido em tanto sentimento. O problema está em mim e não em outras pessoas, como eu insisto em dizer. Não, o problema não é com eles. O problema está comigo. Sentimental demais, entregue demais, sensível demais, criança demais, ignorante demais, burra demais, calada demais, problemática demais, desinteressante (e desinteressada) demais.
Sou um saco.