E ali estava a garota feliz.
Seus cabelos pretos mantidos num corte reto e seu rosto claro sem maquiagem alguma quase a faziam passar despercebida. Não passava por um motivo: sua expressão.
Não era uma expressão com que estamos acostumados a ver. Era tranqüila, era feliz. Não tinha muitos motivos para estar feliz, afinal, era uma garota comum. Seus pais eram separados, mas se davam bem. Seu rendimento escolar era mediano, o que a fazia estar procurando sempre melhorar. Seu nome era Clarisse. Era uma jovem como outra qualquer. Sem muitos atrativos, chamava a atenção mesmo sem querer. Três coisas a faziam gostar de viver e, por isso, ser "a garota feliz": a música, os amigos e um garoto.
A música era sua vida. Uma vez dissera a sua mãe em um surto de loucura e paixão: "Podem me matar, mas não acabem com a música. Ela é minha alma, ela me dá forças para caminhar". Sim, muitos diziam que ela era uma boba por gostar tanto de algo que nunca poderia sustentá-la. "Porcos capitalistas!" gritava sua mente. Ser sustentada pela música era possível sim, mas o único instrumento que Clarisse aprendera a tocar razoavelmente fora uma flauta doce daquelas que se compra no centro a um e noventa e nove.
Era fã dos britânicos de Liverpool. Ficava impressionada como o amor pela música superou a rivalidade entre os dois vocalistas do grupo e, assim, fizeram com que, mesmo vários anos após o término da banda, os Beatles ainda sejam considerados os "reis do rock'n roll".
Ela considerava todos os tipos de música agradáveis mesmo as que não tinham letra. Dizia que o que classificava a música como boa ou não, não era o que um grupo de pessoas achava, mas sim se agradasse a uma única pessoa, a musica era boa. Mesmo que respeitasse o gosto de outras pessoas, defendia com unhas e dentes suas bandas preferidas e tomava sim as dores de seus ídolos.
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falta terminar. ainda vou postar o final.
