25 de nov. de 2008

Até hoje não sei quanto tempo ficamos daquele jeito. Nos beijando. Nos provando. Então, de repente, ela se separou de mim e se levantou, ainda segurando minha mão. Estava séria e me puxava para dentro da casa. Ao entrarmos, vimos que nossos amigos estavam todos lá dentro, os casais dando uns amassos e os solteiros assistindo o filme que passava na televisão por assinatura. Nos sentamos no chão, e nossos amigos não se importaram em perguntar para onde tínhamos ido. Eles sabiam muito bem que gostávamos de ficar sozinhos, então, não se incomodavam mais.

Então nos sentamos um do lado do outro, ainda de mãos dadas, como se sempre tivéssemos ficado assim, como se tivéssemos nascido assim, no chão, assistindo algum filme americano que falava sobre sexo. Havíamos saído de um clima romântico e inesperado para a parte da viagem que muitos de nós adorávamos: o filme que nos rendia conversas sobre sexo e algumas confissões. Atualmente, ainda tenho vergonha sobre algumas coisas que disse naquela sala e nas salas de outras casas de praia que nos hospedamos, dias antes e após daquele que marcou minha vida de um modo inimaginável.

Após o filme, todos fomos dormir, cansados o bastante para alguma brincadeira envolvendo o cabo de uma escova de cabelo de uma das garotas e uma máquina digital. A praia havia acabado conosco. Tínhamos passado um longo tempo surfando, brincando e conversando embaixo do sol. Fora um dia divertido. Minha pele branca assumia um tom avermelhado e ardia um pouco, em alguns pontos mais sensíveis, como os ombros e as bochechas. Meus cabelos estavam como sempre, pretos como breu e meu cavanhaque lá estava, firme e forte. Uns cabelos se curvavam para fora em minha nuca, o que me mostrava que eu tinha que cortá-los quando chegasse em Fortaleza. Meu físico nunca impressionara ninguém, considerando o fato de eu ser alto e magro. Porém isso nunca foi um motivo para que as garotas não se sentissem atraídas por mim. Na verdade, nunca gostei dessa atenção que elas me davam, mas tive que me contentar. Estava meio que no meu sangue ser um conquistador, digamos assim.

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Você me faz bem e eu te amo. Saiba disso sempre. Você está com meu coração em suas mãos. Cuide dele. Ou não.

23 de nov. de 2008

Um começo. (?)

E lá estávamos nós. Eu, com meus jeans desarrumados e alguma camisa pólo que minha mãe me dera há muito tempo atrás, quando ela fora aos Estados Unidos, visitar minha tia doente, hoje morta. Bruna, com seu cabelo escuro preso na costumeira trança, me fazia olhar para sua face sem nenhuma barreira. Olhar para o seu rosto sempre me trouxe calma. Seus olhos comuns, castanhos escuros, sempre me fascinaram. Nunca entendi o porquê, pois, no lugar onde morávamos, Fortaleza, capital do Ceará, olhos claros sempre foram bem mais valorizados. Mas os olhos da garota que se destacava dentre as outras, nesse momento estavam ansiosos. E seu nariz era a perfeição. A primeira coisa que sempre olhei nas garotas é o nariz. Quer dizer, olhava. Depois de conhecer Bruna, tudo mudou. Sua boca era carnuda e naturalmente avermelhada, ao contrário da minha que era fina.

Estávamos sentados na calçada de sua casa de praia. Todos os nossos amigos já estavam lá dentro, provavelmente dormindo ou assistindo algum filme, como pretexto de ficarem acordados. Não tínhamos ido para casa com os outros, pois ficamos na praia, caminhando de pés descalços e aproveitando o momento íntimo. Ela se acomodara em mim e cochilara. Momentos antes de dormir, ela sussurrara em meu ouvido: “Kauê, você me acalma. Seu cheiro me acalma. Sua voz me tranqüiliza. Obrigada por tudo.” Eu a acalmava. Isso fez meu coração inflar, de um modo que eu nunca achei ser possível antes. No entanto, isso não dizia nada de mais. Era só, mais uma vez, meu coração dando brecha e aumentando algumas coisas que não eram reais, como o amor de Bruna por mim. Eu sabia que ela só gostava de mim como um amigo, um irmão.

Mas agora, ela acordara e chupara uma bala de menta. Minha preferida. Ela não sabia disso. Eram somente alguns detalhes que ela não sabia sobre mim. Bobagens que não tinha sentido serem mencionadas. Estava com um hálito artificialmente refrescante. Não conversávamos mais, só nos olhávamos. Nos olhamos por um longo tempo, até que percebi que seu pescoço se esticava o máximo que conseguia, e sua mão macia apertava a minha. Foi estranho como percebi isso rapidamente, como um baque, todos esses detalhes me chamaram a atenção.

- Kauê, você está pálido. Respire! – ela disse com uma voz preocupada e então, percebi que passara o tempo todo que estávamos nos olhando sem respirar. No momento que soltei minha respiração e respirava normalmente, Bruna me fez o favor de alterá-la novamente. Eu senti o gosto de sua pastilha de menta, que disfarçava o gosto que sempre tive vontade de provar.

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Obrigada pela inspiração, amigo. Isso era o que eu queria que voce fizesse comigo. Mas tá tranquilo. Ou não? (L)

10 de nov. de 2008

problemas.

Bom, primeiramente, oi. Como todos os meus textos, eu começo com um 'oi'. Não entendo porquê. Mas eu não entendo o porquê mesmo de eu não conseguir estabelecer amizade concreta com ninguém. Quero dizer, tirando as minhas - melhores - amigas, eu não tenho ninguém. Sério mesmo. Na verdade, até tenho minha família e meu melhor amigo de sempre, mas, tirando isso, eu não consigo virar especial pra - quando eu conheço - alguém. É sério. Minhas amizades são limitadas e eu nunca consigo cativar NINGUÉM. Não sou a mais engraçada, a mais bonita, a mais simpática ou a mais feliz. Pode ser por isso. Pode ser por eu não ter um rosto sorridente o tempo todo. Quer dizer, dói muito ver que todos meus amigos - os que eu de fato tenho - ter amigas essenciais. E eu não ser uma delas. Dói ver que eles não me amam como eu os amo ou como eu me apego à eles. Vai ver é por ser idiota e me apegar tanto à quem eu não deveria. Ficar contando minha vida a quem eu conheço a pouco tempo é meu forte. Eu devo ter problemas. Vou fazer o que com uma amiga minha - que eu acho que está com raiva de mim - disse pra eu fazer: me tratar. Eu, sinceramente, devo ter algum problema. Acho que pessoas normais não ficam tão mal como eu fico ao ver que um amigo meu diz amá-la e não a mim, mesmo que o ame incondicionalmente, eu acho. Conclusão: eu devo ir ao psicanalista.

7 de nov. de 2008

banho/ - (L)

Eu prometi. Prometi a mim mesma que não sofreria por você. Mas acho que não estou chorando por ti. Choro mesmo pela minha ingenuidade. Fui ingênua ao crer em você e em suas palavras. Bobas palavras que me afetavam - e ainda me afetam - profundamente. É idiotice amar tanto alguém que não sente a mesma coisa. Alguém que tem tantas outras amigas, tantas outras vidas pra se preocupar, por que se preocuparia logo com a MINHA? HAHA, hilário isso. Desisti de ter você. Desisti de amar você. Desisti de querer você. Desisti de você.