Subitamente, não sabia mais como se ata o nó da gravata. Era como se enfrentasse uma tarefa desconhecida, com que nunca tinha tido qualquer familiaridade. Recomeçar do princípio. Uma vez, outra vez - e nada. Suspirou com desânimo e olhou atento aquele pedaço de pano dependurado no seu pescoço. Vagarosamente, tentou dar a primeira volta - e de novo parou o gesto sem sequência. Viu-se no espelho, rugas e suor na testa: a mão esquerda era a direita, a mão direita era a esquerda.
Ele via o quanto mudara desde sua juventude para o tal dia. A barba crescia, sua utilidade em casa e no trabalho caia a cada dia. Os últimos vinte anos haviam passado tão rapidamente... ele havia arranjado um emprego, achara a mulher com a qual, passaria o resto de sua vida... ah! Aquela lembrança o magoava. Jenny, por que se fora tão cedo? Aquela americana, loira dos olhos azuis, mexera permanentemente com a cabeça daquele homem. Vítima de um acidente de carro, envolvendo um ônibus interestadual e um Fusca azul-bebê. Ela era a alegria da vida daquele, agora, senhor de idade, mas ao menos, deixara para ele três simples lembranças: um casal de filhos e o vestido de seu casamento.
Desistindo de tentar dar o nó na gravata, sentou-se em uma poltrona coberta de poeira e pôs-se a chorar. Era um homem de meia-idade, gerente de uma empresa, morador de um apartamento em um bairro nobre de sua cidade. Mas havia amargura em seu coração. Existia culpa. Existia ódio. Por sua culpa, a unica mulher que já amou, encontrava-se morta e enterrada. Literalmente.
Ele a traíra. Razão? Carência e muito whisky. Estava bêbado, vagando por aí. Uma garota de programa se encontrava a cinco metros dele. Eram três da manhã. Um sexo rápido no metrô vazio poderia estragar um relacionamento de mais de dez anos? Alguns meros trocados estragariam um amor à primeira, segunda e terceira vista? Ele achou improvável. Mas foi o que aconteceu. Jenny descobriu. Ela contratara um detetive particular algumas semanas antes. Suspeita de adultério.
Ao saber que seu amado havia traído-a, pegou seu Fusca azul-bebê e saiu à toda velocidade em direção à casa de suas irmãs, que tambem moravam no Brasil. Na pressa que se encontrava, não viu o ônibus que se aproximava. Uma morte trágica.
O casal de filhos do casal não suportava a ideia de viver na mesma casa do assassino, mesmo que indireto, de sua mãe. Foram viver nos Estados Unidos com seus avós maternos.
Essas lembranças viam de repente, mas ele não conseguia aguentar. Viver com aquela culpa era demais. Essas memórias, naquele dia, estavam vindo mais fortes do que de costume, pois, naquele exato dia, havia um ano que Jenny morrera. 365 dias sem ver seu sorriso. 365 dias sem ouvir sua voz. Entre lágrimas e goles de whisky, suplicou perdão a Deus.
Dia: 13/02/2009. Horário: 08:37. Homem de 57 anos é encontrado morto em seu apartamento. Causa: Suicídio com uma gravata. Estava vestido com um, aparentemente, vestido de noiva. Local: seu apartamento. Algo estranho? As paredes encontravam-se rabiscadas. Palavras: Jenny, I'm sorry.
Ele via o quanto mudara desde sua juventude para o tal dia. A barba crescia, sua utilidade em casa e no trabalho caia a cada dia. Os últimos vinte anos haviam passado tão rapidamente... ele havia arranjado um emprego, achara a mulher com a qual, passaria o resto de sua vida... ah! Aquela lembrança o magoava. Jenny, por que se fora tão cedo? Aquela americana, loira dos olhos azuis, mexera permanentemente com a cabeça daquele homem. Vítima de um acidente de carro, envolvendo um ônibus interestadual e um Fusca azul-bebê. Ela era a alegria da vida daquele, agora, senhor de idade, mas ao menos, deixara para ele três simples lembranças: um casal de filhos e o vestido de seu casamento.
Desistindo de tentar dar o nó na gravata, sentou-se em uma poltrona coberta de poeira e pôs-se a chorar. Era um homem de meia-idade, gerente de uma empresa, morador de um apartamento em um bairro nobre de sua cidade. Mas havia amargura em seu coração. Existia culpa. Existia ódio. Por sua culpa, a unica mulher que já amou, encontrava-se morta e enterrada. Literalmente.
Ele a traíra. Razão? Carência e muito whisky. Estava bêbado, vagando por aí. Uma garota de programa se encontrava a cinco metros dele. Eram três da manhã. Um sexo rápido no metrô vazio poderia estragar um relacionamento de mais de dez anos? Alguns meros trocados estragariam um amor à primeira, segunda e terceira vista? Ele achou improvável. Mas foi o que aconteceu. Jenny descobriu. Ela contratara um detetive particular algumas semanas antes. Suspeita de adultério.
Ao saber que seu amado havia traído-a, pegou seu Fusca azul-bebê e saiu à toda velocidade em direção à casa de suas irmãs, que tambem moravam no Brasil. Na pressa que se encontrava, não viu o ônibus que se aproximava. Uma morte trágica.
O casal de filhos do casal não suportava a ideia de viver na mesma casa do assassino, mesmo que indireto, de sua mãe. Foram viver nos Estados Unidos com seus avós maternos.
Essas lembranças viam de repente, mas ele não conseguia aguentar. Viver com aquela culpa era demais. Essas memórias, naquele dia, estavam vindo mais fortes do que de costume, pois, naquele exato dia, havia um ano que Jenny morrera. 365 dias sem ver seu sorriso. 365 dias sem ouvir sua voz. Entre lágrimas e goles de whisky, suplicou perdão a Deus.
Dia: 13/02/2009. Horário: 08:37. Homem de 57 anos é encontrado morto em seu apartamento. Causa: Suicídio com uma gravata. Estava vestido com um, aparentemente, vestido de noiva. Local: seu apartamento. Algo estranho? As paredes encontravam-se rabiscadas. Palavras: Jenny, I'm sorry.

2 comentários:
coitado. pelo menos ele se virou com a gravata. (?)
perfeito. *-*
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