Sentados, os dois em bancos de plástico. Dois anos de idade separavam duas vidas. Descrições, bem, as faço após contar os fatos. Ela nunca provara o gosto de um beijo. Ele já provara até demais, mas ainda não abusara. Estava à procura de novos gostos, novos sabores. Conheciam-se há apenas poucos dias, mas conversavam bastante. Atração? Essa existia, tenha certeza desse fato. Ela tentava disfarçar, com medo de parecer ansiosa (com s) demais. Ele não se dava a tal trabalho, pois sabia que ela tinha conhecimento do que ele "sentia".
Ela se encontrava no auge de seu nervosismo, dada a pergunta que ele a fizera. "Então, Amanda, tu quer ficar comigo?" Um singelo aceno de cabeça respondeu. Para cima e para baixo. Ela não ousava olhar para ele. Se tivesse olhado, veria seus olhos castanhos escuros mirando-a. Sua pele branca contrastando com a boca avermelhada de tanto ser umedecida pela língua. "Pode ser?" Foi sua última pergunta. "Pode ser". Foi sua última resposta.
Quem por ali passasse, teria visto um garoto alto que devia contar dezesseis anos, branco do cabelo escuro, arrastando um banco para mais perto ficar da garota do rosto avermelhado que na sua frente se encontrava. As pernas dele ficaram no intervalo das pernas dela. Sua mão em seu pescoço, sua boca em sua boca.
Três vezes. Três beijos.
Hoje em dia, três palavras. "Amanda, como vai?"

Nenhum comentário:
Postar um comentário