14 de jul. de 2009

15/07.

Uma.
Duas.
Três.
Alex já contava quatro gotas no chão quando viu um par de tênis Converse na sua frente. Elevou seu olhar até encontrar um rosto.
- Olá, pequeno Peter. - ao sorrir, sua visão ficou embaçada. Mais uma lágrima despencou do azul e agora eram cinco no chão.
- Olá Alex. - ele não parecia incomodado com a visão de sua amiga chorando.
- Bom, não tão pequeno Peter está de volta, pelo que vejo.
- Não por muito tempo.
Eles usavam palavras despreocupadas, mas sabiam que assim não estavam. A preocupação rondava por lá.
Chovia furiosamente. Era noite. O céu laranja era o cenário da cena.
- Achei que você voltara para ficar... - a voz de Alex morreu no caminho.
- Vim só ver como as coisas estavam. Sabe, sinto falta daqui de vez em quando. Das risadas que ecoavam na escada, dos tombos levados na quadra...
- Sim, sim. Odeio que você tenha se mudado e levado minha rotina contigo.
- Acredite, Alex. Por mim, eu voltaria. Meu pai foi transferido. Isso não é minha culpa.
- Pequeno Peter, eu sei. Já ouvi isso várias vezes. Mas... o que fazes aqui?
- Voltei para pegar um porta-retrato...
- Você voltou por causa de um porta-retrato? Veio do outro lado do país para um PORTA-RETRATO?
- Sim, Alex. Pelo porta-retrato.
- E para nada mais?
- E para nada mais.
Dois vizinhos magros e brancos se abraçavam às duas da manhã de uma quarta feira chuvosa.
Um viajaria dali algumas horas e se arrependeria de não ter beijado quem tanto desejava. A outra não conseguiria dormir por horas e não encontraria ânimo para nada.
Dois anos depois se encontrariam.
Dois anos depois daquela quarta feira chuvosa.

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