10 de dez. de 2008

Descrições.

Bom, vamos parar um pouco de contar os fatos e deixe-me explicar-lhe a situação. Eu, Kauê, e uns amigos e amigas combinamos de passar nossas férias do terceiro ano – do TÃO esperado terceiro ano – viajando para cada cidade do litoral nordestino. Passávamos uma semana em cada lugar, acordando tarde e dormindo ao amanhecer. No dia que relatei primeiro, nós havíamos acabado de chegar em Paracuru. Era uma praia bonita, passamos o dia zoando por lá. Nós estávamos com uma Besta, logo, éramos doze. Seis caras e seis garotas: eu, Bruna, Gabi, Henrique, Luana, Isadora – nossa querida Dorinha - , Fernanda, Manuel, João Carlos – ou mais conhecido como Joca - , Paulo, Raquel e Rodrigo.

Henrique era o namorado de Gabi. Mais ciumento que ele, nunca havia visto ninguém. Era o mais velho de nós, com seus 19 anos, então, como conseqüentemente, era o mais responsável, dirigia o carro. Era um cara não tão alto, mas compensava sua falta de altura com seus músculos. Digamos que o que ele não tinha em comprimento, ele tinha em espessura.

Luana era o contrário de Gabi. Ela tinha uma estatura normal, para uma jovem. Era loura dos olhos azuis e tinha a pele bastante branca. Enfim, era o sonho de consumo de todos os rapazes do nosso colégio. Enquanto Gabi passava tranqüila em todas as matérias, Luana lutava bastante para conseguir não ficar de recuperação. Ela era a mais rica de nós, com um enorme apartamento no bairro Aldeota e com várias casas de campo. A casa em que ficamos, no Paracuru, era dela. Embora aparentasse, não era nem um pouco mimada ou fresca. Na verdade, ela era completamente diferente do esperado. Era a garota mais imprevisível que eu já vira. E a mais fria também, posso dizer. Vários garotos de nosso colégio eram apaixonados por ela, mas Luana não tinha coração para gostar deles como eles gostavam. Ela era aquela típica garota que fica sem compromisso e só sai para se divertir. Em alguns momentos isso era bom, pois mesmo que não gostasse de compromissos, ela tinha muita responsabilidade. Bom, responsabilidade com suas duas irmãs mais novas, mas com estudo, nunca! Luana era uma boa pessoa, com senso de humor e sempre fazia piadas, mas mesmo assim, eu nunca fui muito de conversar com ela. Não sei porquê, mas tinha algo que sempre me impediu de ser intimo dela.

Dorinha, ou Isadora, como fora batizada, era o nosso chaveirinho humano. Pequena como uma criança e fofa como uma, conquistava corações por onde passava. Era muito bem educada e meiga. Confiança e graça emanava dela. Ela era um amor. Era a menor de nós e tinha o cabelo liso e preto. Mantinha um corte no meio das costas e uma franja reta na testa. Usava óculos finos e era bastante magra. Costumávamos chamá-la, quando éramos mais novos, de Tainá, porque ela realmente parecia com a garota do filme. Tinha o tom da pele de uma verdadeira índia. Dora era a namorada de Joca. Digamos que eles eram a prova viva de que os opostos se atraem. Enquanto ela era pequena, frágil, Joca era enorme. Alto e gordo, assustava a todos os desconhecidos com seu tamanho. Mas dentro daquele corpo enorme, havia um coração mole, que se preocupava verdadeiramente com o bem-estar de nossa caçula. Eles se amavam de verdade, você conseguia perceber. Mas só o que nos intrigava era bom, como que entrava? Bom, mas isso é outra história.

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Nada a declarar. (L)

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