31 de jul. de 2009

Dedicado a um falecido.

Há dezessete anos você não está entre nós.
Não o conheci como muitos o conheceram.
Nunca o abracei nem nunca ouvi sua voz.
Nunca senti a textura de sua velhice em mim,
nem nunca ri de alguma piada sua.
Mas ajo como se já tivesse.
Choro como se já tivesse.
Meu coração dispara como se já lhe conhecesse.
Você me faz falta, não sou completa nem nunca serei.
Você sempre será meu avô.
Meu único avô.
Meu amado avô.
Meu vovô.
O unico que já amei e que vou amar.
O único que me comove com musicas.
Você é único, vô.

Não é sempre, mas eu sei que você está bem agora.

17 de jul. de 2009

Ciúmes.

Mas de fato essa questão de ciúmes varia muito. Cada caso é um caso. Hoje aconteceu uma coisa meio Fingi Na Hora Rir: "hoje eu quis brincar de ter ciúme de você". E foi ao "brincar" disso, que notei que de fato tenho. Tenho ciúmes de você. Não só de você como de muitas outras coisas, mas, hoje em dia, você é o "centro" de meu ciúme.
Queria não sentir isso.
Volto ao "não quero ter um coração".
É idiotice.
Essa história de ter sentimentos não me agrada. O ciúme não me agrada. Me apegar à pessoas sempre dá (desculpem o termo) merda. Nunca fico feliz, nunca fico satisfeita.

14 de jul. de 2009

15/07.

Uma.
Duas.
Três.
Alex já contava quatro gotas no chão quando viu um par de tênis Converse na sua frente. Elevou seu olhar até encontrar um rosto.
- Olá, pequeno Peter. - ao sorrir, sua visão ficou embaçada. Mais uma lágrima despencou do azul e agora eram cinco no chão.
- Olá Alex. - ele não parecia incomodado com a visão de sua amiga chorando.
- Bom, não tão pequeno Peter está de volta, pelo que vejo.
- Não por muito tempo.
Eles usavam palavras despreocupadas, mas sabiam que assim não estavam. A preocupação rondava por lá.
Chovia furiosamente. Era noite. O céu laranja era o cenário da cena.
- Achei que você voltara para ficar... - a voz de Alex morreu no caminho.
- Vim só ver como as coisas estavam. Sabe, sinto falta daqui de vez em quando. Das risadas que ecoavam na escada, dos tombos levados na quadra...
- Sim, sim. Odeio que você tenha se mudado e levado minha rotina contigo.
- Acredite, Alex. Por mim, eu voltaria. Meu pai foi transferido. Isso não é minha culpa.
- Pequeno Peter, eu sei. Já ouvi isso várias vezes. Mas... o que fazes aqui?
- Voltei para pegar um porta-retrato...
- Você voltou por causa de um porta-retrato? Veio do outro lado do país para um PORTA-RETRATO?
- Sim, Alex. Pelo porta-retrato.
- E para nada mais?
- E para nada mais.
Dois vizinhos magros e brancos se abraçavam às duas da manhã de uma quarta feira chuvosa.
Um viajaria dali algumas horas e se arrependeria de não ter beijado quem tanto desejava. A outra não conseguiria dormir por horas e não encontraria ânimo para nada.
Dois anos depois se encontrariam.
Dois anos depois daquela quarta feira chuvosa.

13 de jul. de 2009

No title.

E depois que o show do Dibob acabar, vamos nos encontrar logo mais.

Tenha certeza que vamos.

Brunette.

Eram nove da manhã quando bateram na porta.
Vestida somente em minhas calças de moletom e uma regata, abri a porta.
Era a vez do carteiro simpático entregar as cartas.
"Olá, Mr. Sawyer. Tudo para meu pai?"
Ele não estranhou meus olhos fundos nem minha cara deprimida. Milagre!
"Ms. Claire, como vai? Na verdade, tenho uma carta para você."
Me entregou o pequeno maço de papel e foi para a casa vizinha.
Era um envelope simples, e quando o abri, vi algumas folhas de caderno.

"Olá, minha Brunette.
Escrevo diretamente do jardim de minha nova casa. É uma casa simpática, essa em Kansas. Não tão bonita como a que eu tinha na Califórnia, mas ainda assim simpática.
Como estão as coisas por aí? Você conseguiu entrar na faculdade que tanto desejava ou se contentou em passar na Brown? Sim, todos sabemos a fixação que você tinha em passar na Yale.
E o baile de formatura? Está tudo pronto? Você será a rainha do baile como sempre sonhou ou decidiu não ir de ultima hora? Sei que sempre desejou que fossemos o rei e a rainha do baile. Era só o que faltava para nós sermos o casal do colégio ou, pelo menos, do último ano. Éramos conhecidos, namoravamos desde que entramos no Ensino Médio, tirávamos boas notas e íamos para todas as festas da cidade.
E é por isso que gostaria de me desculpar. Sei que não tive a oportunidade de fazer isso por ter me mudado de ultima hora, mas eu tenho uma explicação para isso.
Se lembra de Jenny? Sim, a namorada que tive antes de você. Bom, há pouco tempo atrás ela descobriu que você foi a causa de eu ter terminado com ela. Que foi naquela festa depois do jogo de basquete que eu te conheci e... bom, você sabe o que aconteceu naquela noite.
E, bom, com essa descoberta, ela meio que enlouqueceu de vez. Antes me avisavam que ela não era muito normal. Não que eu ligasse. Eu achava um charme esse ciúme que ela tinha. Mas, eu nunca achei que fosse virar uma loucura. Ela estava louca. Ela era louca, na verdade.
Então, quando ela descobriu, começou a me ameaçar e tudo mais. Eu tive que sair da cidade. Acredite, eu nao falei com ninguem sobre isso. Você sabe que eu morava sozinho no alto da colina, por opção. Queria a melhor educação, por isso ainda morava na Califórnia, mesmo com a morte de meus pais.
Agora, estou morando aqui no Kansas com minha tia. Ela é uma pessoa legal. Já disse que se você quisesse, poderia nos visitar. Ela não se incomodaria. E você poderia dormir no meu quarto, se quisesse. Já disse que ela é bastante liberal? Gente boa, essa Tia Polly.
Então, o que eu queria dizer a você, além de esclarecer toda essa historia sobre porque eu fui embora, era dizer que nada que eu sentia por você mudou, minha querida Brunette. Eu ainda te amo como antes e te quero como antes. Não se esqueça de mim.

John."

12 de jul. de 2009

Mais uma sexta.

E aquela era mais uma sexta em sua vida.
O término de uma semana útil.
Já era noite.
22.23
Eu pensava nele e ele nela.

3 de jul. de 2009

Férias.

Óh gloriosas férias, onde se esconderam? Por que estão tão longe de nós e, ao mesmo tempo, tão perto? O tão esperado dez de julho que nos custa a chegar. Mais sete dias! Óh, sete dias! Sete dias de estudo e determinação para garantir-nos uma boa nota nas avaliações. Somente mais cento e sessenta e oito horas para o tão desejado descanso de duas semanas. Nosso querido "feriado prolongado". Nossa oportunidade de relaxar e colocar a bunda para o ar, sem nada para se preocupar. Para quê melhor?

Óh gloriosas férias, por que se escondem de nós?